Poemas

  

Todos os poetas participantes do CIDADE POEMA foram consultados e liberaram os direitos de exibição de suas obras.
Respeite os direitos autorais: somente reproduza estes poemas ou parte deles, em qualquer meio e por qualquer período, se receber autorização dos autores ou de seus representantes legais.

 

 EM OUTDOORS

REENCONTRO AO LONGO

Esse preceito está de pé
Todo ex-amor é um Deus ainda
Nós é que perdemos a fé

Celso Gutfreind (A gema e o amarelo, Tchê!, 1988, 81p)

 

sempre corri atrás de mim
como uma criança
atrás de um balão levado pelo vento


eu era o vento e não sabia

Alexandre Brito

 

  
EM BUSDOORS
 

Branca é a cor do silêncio
Mudez é a palavra de Deus
Deus é a prova de que existem homens

Susana Vernieri (Memorabilia, Libretos, 2005, 104p)


VIA

Um trem, um trilho
para cortar paisagens,
para colher nomes,
para um futuro filho.

Susana Vernieri (Memorabilia, Libretos, 2005, 104p)


tenho fúrias
guardadas a chave
tardia liberdade

Berenice Sica Lamas (Ampulheta, Casa Verde, 2007, 88p)


não existe pessoa certa
apenas um deslize
do calendário

Berenice Sica Lamas (Ampulheta, Casa Verde, 2007, 88p)


NECESSIDADE

Preciso de outras mãos
pra desatar meus nós.
Preciso teus dedos.
Preciso de nós.

                                        Laís Chaffe (inédito em livro)


cetim rio lençol
dois corpos deslizam
peixe e anzol

                                        Laís Chaffe (inédito em livro)


Acerto o relógio pelo sol.
Percorro as dez quadras
de meu mundo.
As ruas são conhecidas
e me atalham.

Fabrício Carpinejar (Cinco Marias, Bertrand Brasil, 2004, 128p)


Meu medo se interessa por qualquer ruído.
Hoje quero alguém para conversar enquanto dirijo,
baixar os faróis em estrada litorânea,
enxergar pelas mãos.

Fabrício Carpinejar (Cinco Marias, Bertrand Brasil, 2004, 128p)


PORTAS DA MANHÃ

O tempo
é um assombro
para dentro:

um cálice
para o sol que nasce 

Jaime Vaz Brasil (Inventário de Cronos, WS Editor, 2002, 120p)


SOPRO

assim como não há
eu vejo
assim como não dá
ensejo
assim e só assim
desejo

                                  Edson Cruz (Sortilégio, demônio negro, 2007, 92p)


GRAFITE

morrer é quase
um imprevisto

morro sempre
quando penso
que não existo

Lau Siqueira (Sem meias palavras, Idéia, 2002, 75p)


FELINA

teu corpo
é linguagem pura

frágil refúgio
da minha loucura

metade prazer
metade tortura

Lau Siqueira (O guardador de sorrisos, Trema Editora, 1998, 83p)


Instante certeiro
       a flor
  do sono
    brota
do travesseiro

                          Diego Petrarca (inédito em livro)


Recuso descobertas
é muito mais
difícil
desaprender as coisas

                           Diego Petrarca (inédito em livro)

 


não tenho
todo o tempo
de que preciso
para escrever
um grande poema
conciso

Ricardo Silvestrin (O menos vendido, Nankin Editorial, 2006, 336p)

 

Quando estamos assim do avesso, só um verso.
 

                                                                          Everton Behenck



sinos do Centro
o som não vem da igreja
vem de dentro


                                 João Angelo Salvadori


SOL POENTE

Que estranho percurso
de luz e de prece
transam os pássaros
na tarde que desce?

                                 José Eduardo Degrazia


PARADOXO
Quando o sol se esvai
e finda a tarde
é justo aí
que a vida arde

                                 Laís Chaffe



Ei!
Você está lendo um poema.
Pare de dizer que não gosta de ler,
que poesia é coisa de viado.
Você está lendo, não está?
 

                                    Paulo Seben  
 

 

 EM ADESIVOS RECORTE ELETRÔNICO

 

MISTÉRIOS

Ninguém é o que parece
ou o que aparece.
O essencial não há quem enxergue.
Todo mundo é só a ponta
do seu iceberg.

                                   Luis Fernando Verissimo (Poesia numa hora dessas?!)


DESMATAMENTO

“Um dia, meu filho”,
disse o velho índio
indicando o topo das árvores
como quem afasta um véu,
“tudo isto será céu.”

                                   Luis Fernando Verissimo (Poesia numa hora dessas?!)

 

aos predadores
da utopia

dentro de mim
morreram muitos tigres


os que ficaram
no entanto
são livres

                        Lau Siqueira (O guardador de sorrisos, Trema Editora, 1998, 75p)

 

CAMINHO INCA

Tem sentimento que é um lugar
de difícil acesso
aonde a gente vai indo do jeito que dá
pegando atalho pulando pedra solta
cortando galho matando cobra
e mesmo assim chega uma hora
em que se deixa o pé estacionado
e se vai de arte

            Celso Gutfreind (Arte de rua, Tchê!/Instituto Estadual do Livro, 1993, 102p)


O medo resvala na pele
cai no corpo
amortece na carne
e não se fere.

                                             Laís Chaffe (inédito em livro)


casa sem jardim
nada detém a primavera
flores me nascem na face

                                       Fred Maia (Mais que imperfeito, Ameop, 2004, 100p)

 

O CORAÇÃO É TODO ESPERA
 
Quando ama, o coração
cresce por dentro.
Escava o vento.
Impõe sinetas
aos caules dos cânticos.
Exige trajetos das mãos
 
                                    Jaime Vaz Brasil
 
 
SEM CORDÃO
 
Frase pintada
Acima da janela
Da maternidade
Voltada para o leste
Até o sol nasce aqui
 
                            Augusto Franke Bier
 
A fraternidade tem sutilezas.
 
                                          Fernando Pessoa
 
AMPARO
 
Quero o melhor livro infantil
Na prateleira do quarto,
Pra te ler baixinho
Minutinhos antes do parto
 
                                     Luis Augusto Junges Lopes
 
 
 

sempre corri atrás de mim
como uma criança
atrás de um balão levado pelo vento

eu era o vento e não sabia

                                                                           Alexandre Brito

 
 
Entre os que nostalgizam o passado
e os que idealizam o futuro,
fico com os que poetizam o presente.
 
                                                          Laís Chaffe

 


EM BOLACHAS DE CHOPE

 

Lua e lirismo uma ova
vou é lavar as cuecas
que vem aí mulher nova

                                 Celso Gutfreind 


Poeta
cruza de beija-flor
com vampiro
esteta

                                  Laís Chaffe (inédito em livro)


Houve um tempo em que havia pedras no meio do caminho.
Tropeçava-se. Levantava-se. E seguia-se.
Hoje tem uma bala no meio do caminho.
No meio do caminho tem uma bala.
Tem uma bala no meio do ca...

Marcelo Spalding (Minicontos e muito menos, Casa Verde, 2009, 120p)


fim da utopia
ninguém quer dividir nada
só a conta

Ricardo Silvestrin (O menos vendido, Nankin Editorial, 2006, 336p)

 


Realização

LAÍS CHAFFE

Apoios

Parcerias